Tecnologia, gestão e negócios em saúde.

Anvisa notifica Mercado Livre e diz que venda de remédios em marketplace segue vedada

A agência agiu após ofício da Abrafarma; a lei que permite canais digitais ainda depende de regulamentação, e o processo regulatório foi aberto em agosto.

Anvisa notifica Mercado Livre e diz que venda de remédios em marketplace segue vedada
Sede da Anvisa, em Brasília · Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Anvisa notificou o Mercado Livre em 28 de setembro e afirmou que a venda de medicamentos em marketplace continua vedada enquanto a regulamentação não for concluída.[1][2]

O que motivou a notificação?

O anúncio do Mercado Livre de vender medicamentos com receita, incluindo antibióticos e análogos de GLP-1, com entrega em até 60 minutos na Grande São Paulo.[2] Três dias antes da notificação, a Abrafarma enviou ofício à agência questionando a operação.[1]

O que dizem as regras atuais?

A norma em vigor é a RDC 44/2009, e a Lei 15.357/2026, que permite às farmácias contratar canais digitais para logística e entrega, ainda depende de regulamentação da Anvisa.[1][2] A agência abriu o processo regulatório sobre o tema em agosto, sem prazo para concluir.[2]

Linha do tempo
DataFato
Março de 2026Sanção da Lei 15.357, que trata de farmácias e canais digitais[2]
Agosto de 2026Anvisa abre processo regulatório sobre marketplaces[2]
24 de setembroMercado Livre anuncia venda de remédios com receita[2]
25 de setembroAbrafarma envia ofício à Anvisa[1]
28 de setembroAnvisa notifica o Mercado Livre[1]

O que o Mercado Livre responde?

Que todo pedido com receita passa por conferência de farmacêutico e que, no modelo de marketplace, só farmácias licenciadas venderão na plataforma, com meta de 20 parceiras até o fim do ano.[2] A empresa diz manter diálogo com a Anvisa.[2]

Qual o efeito no setor?

As ações de Raia Drogasil, Pague Menos e Panvel caíram após o anúncio, pelo risco de mais concorrência.[1] O caso pressiona a Anvisa a concluir a regulamentação que vai definir o papel das plataformas no varejo farmacêutico.[2]

Em resumo

  • A Anvisa notificou o Mercado Livre em 28 de setembro.[1]
  • A venda de medicamentos por marketplace segue vedada até a regulamentação.[2]
  • A Lei 15.357/2026 depende de norma da Anvisa para valer.[1]
  • O Mercado Livre diz que só farmácias licenciadas venderão na plataforma.[2]

Atualizado em 29 de setembro de 2026.

Fontes

  1. Valor Econômico — Anvisa questiona Mercado Livre após pressão de farmácias, 29 set. 2026.
  2. Futuro da Saúde — Venda de medicamentos pelo Mercado Livre pressiona farmácias e reacende debate regulatório, 1 out. 2026.
Beatriz Sales
Beatriz Sales
Repórter de Políticas & Regulação

Cobre Congresso, ANS, Anvisa e STF em Brasília, com foco no impacto regulatório para o setor.

© 2026 Próxima Saúde. Todos os direitos reservados.