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Fiocruz terá segundo centro de CAR-T, mas pesquisa ainda não tem dados clínicos

O governo prevê R$ 330 milhões para produzir terapia celular contra cânceres do sangue; especialistas veem avanço na infraestrutura e pedem resultados.

Fiocruz terá segundo centro de CAR-T, mas pesquisa ainda não tem dados clínicos
Castelo da Fiocruz, em Manguinhos, no Rio de Janeiro · Foto: Econt, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Ministério da Saúde anunciou com a Fiocruz o segundo centro de desenvolvimento de células CAR-T da fundação, para pesquisa e produção de tratamentos contra cânceres do sangue, com investimento federal de cerca de R$ 330 milhões.[1]

O que foi anunciado?

Um novo centro, em parceria com a Secretaria da Saúde do Ceará, a HU Brasil e a Universidade Federal do Ceará, que se soma ao primeiro, instalado em Bio-Manguinhos, no Rio.[1] Os estudos clínicos de fases I e II devem incluir 25 pacientes, com recrutamento no primeiro trimestre de 2027.[1]

CAR-T no Brasil
ItemDado
Investimento federal via Fiocruzcerca de R$ 330 milhões[1]
Pacientes nos estudos de fase I e II25[1]
Recrutamento previsto1º trimestre de 2027[1]
Demanda anual estimada (leucemia e linfoma B)1,8 mil a 2 mil tratamentos[1]
Demanda adicional (mieloma múltiplo)cerca de mil[1]
Capacidade do projeto USP-RP/Butantan300 por ano[1]

Por que especialistas pedem cautela?

Porque a pesquisa da Fiocruz ainda não publicou dados clínicos. O hematologista Vanderson Rocha, da ABHH, diz que ainda não é possível avaliar o potencial do tratamento, embora mais centros de produção sejam bem-vindos.[1] Iniciativas mais adiantadas, como a da USP de Ribeirão Preto com o Butantan, já existem no país.[1]

Qual é a demanda por CAR-T no Brasil?

Pesquisadores estimam entre 1,8 mil e 2 mil tratamentos por ano para leucemia linfoblástica B e linfoma não Hodgkin B, e mais mil para mieloma múltiplo.[1] Com capacidade de 300 tratamentos anuais no projeto USP-Butantan, a avaliação é que o país precisa de várias frentes de produção.[1]

Como funciona a terapia?

Células do paciente são retiradas, reprogramadas em laboratório para combater o câncer e devolvidas ao organismo.[1] A parceria com a Caring Cross, dos Estados Unidos, inclui transferência de tecnologia para produzir os vetores lentivirais usados no processo.[1]

Em resumo

  • A Fiocruz terá um segundo centro de CAR-T, com investimento federal de cerca de R$ 330 milhões.[1]
  • Os estudos de fases I e II devem incluir 25 pacientes a partir de 2027.[1]
  • A demanda estimada é de 1,8 mil a 2 mil tratamentos por ano para leucemia e linfoma B.[1]
  • Especialistas lembram que a pesquisa ainda não tem dados clínicos publicados.[1]

Atualizado em 15 de outubro de 2026.

Fontes

  1. Futuro da Saúde — Novo laboratório de CAR-T da Fiocruz pode descentralizar produção, mas é visto com cautela por especialistas, 15 out. 2026.
Lucas Ferraz
Lucas Ferraz
Editor de Tecnologia & Inovação

Acompanha healthtechs, dados em saúde e IA aplicada ao cuidado. Escreve sobre interoperabilidade desde 2018.

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