Fiocruz terá segundo centro de CAR-T, mas pesquisa ainda não tem dados clínicos
O governo prevê R$ 330 milhões para produzir terapia celular contra cânceres do sangue; especialistas veem avanço na infraestrutura e pedem resultados.

O Ministério da Saúde anunciou com a Fiocruz o segundo centro de desenvolvimento de células CAR-T da fundação, para pesquisa e produção de tratamentos contra cânceres do sangue, com investimento federal de cerca de R$ 330 milhões.[1]
O que foi anunciado?
Um novo centro, em parceria com a Secretaria da Saúde do Ceará, a HU Brasil e a Universidade Federal do Ceará, que se soma ao primeiro, instalado em Bio-Manguinhos, no Rio.[1] Os estudos clínicos de fases I e II devem incluir 25 pacientes, com recrutamento no primeiro trimestre de 2027.[1]
| Item | Dado |
|---|---|
| Investimento federal via Fiocruz | cerca de R$ 330 milhões[1] |
| Pacientes nos estudos de fase I e II | 25[1] |
| Recrutamento previsto | 1º trimestre de 2027[1] |
| Demanda anual estimada (leucemia e linfoma B) | 1,8 mil a 2 mil tratamentos[1] |
| Demanda adicional (mieloma múltiplo) | cerca de mil[1] |
| Capacidade do projeto USP-RP/Butantan | 300 por ano[1] |
Por que especialistas pedem cautela?
Porque a pesquisa da Fiocruz ainda não publicou dados clínicos. O hematologista Vanderson Rocha, da ABHH, diz que ainda não é possível avaliar o potencial do tratamento, embora mais centros de produção sejam bem-vindos.[1] Iniciativas mais adiantadas, como a da USP de Ribeirão Preto com o Butantan, já existem no país.[1]
Qual é a demanda por CAR-T no Brasil?
Pesquisadores estimam entre 1,8 mil e 2 mil tratamentos por ano para leucemia linfoblástica B e linfoma não Hodgkin B, e mais mil para mieloma múltiplo.[1] Com capacidade de 300 tratamentos anuais no projeto USP-Butantan, a avaliação é que o país precisa de várias frentes de produção.[1]
Como funciona a terapia?
Células do paciente são retiradas, reprogramadas em laboratório para combater o câncer e devolvidas ao organismo.[1] A parceria com a Caring Cross, dos Estados Unidos, inclui transferência de tecnologia para produzir os vetores lentivirais usados no processo.[1]
Em resumo
- A Fiocruz terá um segundo centro de CAR-T, com investimento federal de cerca de R$ 330 milhões.[1]
- Os estudos de fases I e II devem incluir 25 pacientes a partir de 2027.[1]
- A demanda estimada é de 1,8 mil a 2 mil tratamentos por ano para leucemia e linfoma B.[1]
- Especialistas lembram que a pesquisa ainda não tem dados clínicos publicados.[1]
Atualizado em 15 de outubro de 2026.
Fontes
Leia também
Mais de Tecnologia & Inovação →
Tecnologia & Inovação
Tecnologia & Inovação
Tecnologia & Inovação