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São Paulo muda cálculo dos repasses a hospitais geridos por OSS

Resoluções da Secretaria da Saúde acabam com o repasse automático e passam a pagar por produção, complexidade e desfecho clínico a partir de julho de 2027.

São Paulo muda cálculo dos repasses a hospitais geridos por OSS
Imagem ilustrativa · banco de imagens

As Resoluções 200 e 201 da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mudam o cálculo dos repasses às OSS que administram cerca de 60 hospitais estaduais: o valor deixa de ser automático e passa a refletir produção, complexidade e desempenho, a partir de 1º de julho de 2027.[1][2]

Como o repasse será calculado?

A base é o custo médio de R$ 10.906,18 por saída hospitalar, multiplicado pelo número de internações e ajustado por um Índice de Complexidade Relativa (ICR), calculado com a Tabela SUS Paulista.[1] O orçamento de referência destina 75% à assistência hospitalar e 25% à ambulatorial.[1]

Componentes da nova metodologia
ComponenteRegra
Base por saída hospitalarR$ 10.906,18, ajustada pelo ICR[1]
Divisão do orçamento75% hospitalar, 25% ambulatorial[1]
Parcela da base hospitalar90% produção, 10% desfecho clínico[1]
Reserva de crescimento10%, paga se a produção aumentar[1]
Emergência referenciada / porta abertaparcela de 10% / 15%[1]
Vigência1º de julho de 2027[1][2]

Que indicadores afetam o valor?

A parcela de desfecho, equivalente a 10% da base hospitalar, depende de mortalidade ajustada, permanência ajustada e taxa de ocupação.[1] Infecção hospitalar ficou de fora de propósito: segundo o consultor da Opas João Gabbardo, punir o indicador estimularia a subnotificação.[1] Hospitais com permanência menor que a dos pares recebem bonificação.[1]

Quem ganha e quem perde com a mudança?

Análise de custos feita pela Planisa indica que um terço dos hospitais tem orçamento parecido com o da nova metodologia, outro terço está subfinanciado e o restante recebe mais do que produz.[1] Até 30 de junho de 2027, cada unidade receberá o maior valor entre o orçamento atual e o calculado pelo novo modelo.[1]

O que as OSS precisam fazer agora?

Registrar toda a produção nos sistemas do SUS e atualizar o cadastro no CNES, porque o cálculo depende desses dados validados.[1] A Secretaria aponta cadastros desatualizados e registros rejeitados por questões administrativas como causas de subnotificação.[1] O presidente do Ibross, Nacime Mansur, alerta que itens caros fora da Tabela SUS Paulista, como cardiodesfibriladores de R$ 37 mil, podem penalizar as entidades.[1]

Em resumo

  • O novo cálculo dos repasses às OSS de São Paulo vale a partir de 1º de julho de 2027.[1]
  • A base é de R$ 10.906,18 por saída hospitalar, ajustada pela complexidade.[1]
  • 10% da base hospitalar depende de mortalidade, permanência e ocupação.[1]
  • Um terço dos hospitais está subfinanciado e um terço, acima do que produz, segundo a Planisa.[1]

Atualizado em 15 de outubro de 2026.

Fontes

  1. Futuro da Saúde — Novas resoluções mudam metodologia de orçamento e fixação de repasses para OSS do estado de SP, 15 out. 2026.
  2. Medicina S/A — Seminário debate novo modelo de financiamento das OSS em São Paulo, 5 out. 2026.
Carolina Teixeira
Carolina Teixeira
Repórter de Gestão & Operações

Cobre eficiência, custos, governança e infraestrutura de hospitais e operadoras. Antes, trabalhou em consultoria de gestão hospitalar.

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