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Hospitais ficam mais eficientes, mas margem cai pelo segundo ano

Os hospitais privados usaram melhor os leitos em 2025, mas a despesa por paciente-dia cresceu quatro vezes mais rápido que a receita e o prazo para receber das operadoras aumentou.

Hospitais ficam mais eficientes, mas margem cai pelo segundo ano
Imagem ilustrativa · banco de imagens

O Observatório Anahp 2026, com dados de 2025, mostra os hospitais privados operando com mais eficiência e ganhando menos: a média de permanência caiu ao menor nível da série, enquanto a margem Ebitda recuou de 11,68% para 11,05%.[1][2]

O que melhorou na operação dos hospitais?

O uso do leito melhorou em todos os indicadores acompanhados. Entre os 138 hospitais que alimentam o sistema de indicadores da Anahp, a média de permanência caiu para 3,76 dias, o giro de leito subiu para 6,09 e o intervalo de substituição ficou em 1,19 dia.[1] A própria associação trata esse conjunto como o principal sinal de eficiência no uso da capacidade instalada.[1]

Hospitais Anahp: operação e resultado em 2025
Indicador2025
Média de permanência3,76 dias, menor da série[1]
Giro de leito6,09[1]
Intervalo de substituição1,19 dia[1]
Margem Ebitda média11,05% (11,68% em 2024)[1]
Receita líquida por paciente-dia (real)+2,49%[1]
Despesa total por paciente-dia (real)+10,88%[1]

Por que a margem caiu mesmo com mais eficiência?

A margem caiu porque a despesa cresceu mais que a receita. Descontada a inflação, a receita líquida por paciente-dia subiu 2,49% em 2025 e a despesa total por paciente-dia subiu 10,88%.[1] A receita líquida da Anahp já é medida depois de impostos e de valores glosados e não recebidos, o que coloca a relação com as operadoras no centro da conta.[1]

Quanto pesam as glosas e os prazos de pagamento?

A glosa inicial, parcela das contas recusada pelas operadoras antes da negociação, ficou em 15,93% em 2025, contra 11,89% em 2023.[1] No mesmo período, o índice de recebimento caiu de 91,27% para 85,80%.[1]

O prazo também piorou: os hospitais levaram em média 77,4 dias para receber das operadoras, cerca de sete dias a mais que em 2024, e pagaram fornecedores em 48,3 dias.[2] A diferença de aproximadamente 29 dias é financiada pelo caixa do próprio hospital.[1][2]

Relação com as operadoras
Indicador20232025
Glosa inicial11,89%[1]15,93%[1]
Índice de recebimento91,27%[1]85,80%[1]
Prazo médio de recebimento-77,4 dias[2]
Prazo médio de pagamento a fornecedores-48,3 dias[2]

O que isso muda na gestão hospitalar?

O ciclo de receita passa a disputar atenção com a operação assistencial. Com 76,47% da receita bruta vinda de convênios, o capital de giro deixa de ser assunto só da tesouraria.[1] Para Rafael Elustondo de Souza, executivo da healthtech de gestão hospitalar Rivio, o ganho de eficiência no leito ainda não chega inteiro ao caixa, e a defesa das contas glosadas, feita em grande parte de forma manual, é onde o resultado escapa.[1]

Em resumo

  • A média de permanência nos hospitais da Anahp caiu para 3,76 dias em 2025, menor nível da série.[1]
  • A margem Ebitda média recuou de 11,68% para 11,05%.[1]
  • A despesa por paciente-dia subiu 10,88% em termos reais; a receita, 2,49%.[1]
  • Hospitais levaram 77,4 dias para receber das operadoras e pagaram fornecedores em 48,3 dias.[2]

Atualizado em 20 de outubro de 2026.

Fontes

  1. Saúde Digital News — O hospital brasileiro ficou mais eficiente em 2025. A margem caiu mesmo assim., 20 out. 2026.
  2. Exame — Do Einstein à OpenAI: quem está no novo conselho da startup Rivio, 1 out. 2026.
Carolina Teixeira
Carolina Teixeira
Repórter de Gestão & Operações

Cobre eficiência, custos, governança e infraestrutura de hospitais e operadoras. Antes, trabalhou em consultoria de gestão hospitalar.

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