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Distribuidoras de medicamentos, espremidas entre indústria e farmácia, discutem saída da crise

Estoques de até 150 dias, margens menores e pedidos de recuperação judicial levam o setor a rever gestão de caixa, crédito e a própria oferta ao varejo.

Distribuidoras de medicamentos, espremidas entre indústria e farmácia, discutem saída da crise
Imagem ilustrativa · banco de imagens

Pedidos de recuperação judicial acenderam o alerta entre as distribuidoras de medicamentos, que carregam de 120 a 150 dias de estoque e são pressionadas pela indústria, que endurece condições comerciais, e pelas farmácias, que cobram preço e prazo.[1]

Onde o modelo de distribuição está apertando?

No capital de giro. Os estoques longos imobilizam dinheiro em medicamentos de alto valor, e quando a distribuidora recorre ao banco para financiar o giro, os juros consomem a rentabilidade.[1] Somam-se margens comprimidas, custos operacionais em alta e mais inadimplência.[1] “Estamos sendo espremidos de dois lados”, resume Geraldo Monteiro, diretor executivo da Rede Integração Farma.[1]

Como a reforma tributária afeta o caixa?

Pelo split payment, que recolhe o tributo no momento da liquidação financeira da venda.[1] Monteiro alerta que empresas sem caixa preparado para a transição podem ter problemas.[1] Nas distribuidoras de especialidades, cadeia fria, rastreabilidade e transporte de produtos caros somam custos que, segundo a Abradimex, precisam ser remunerados.[1]

Pressões sobre as distribuidoras
FrenteEfeito
Estoque120 a 150 dias de cobertura[1]
IndústriaCondições comerciais mais restritas[1]
VarejoPressão por preço e prazo; independentes perdendo espaço[1]
Reforma tributáriaSplit payment muda o fluxo de caixa[1]

Por que a disputa por preço agrava o problema?

Porque transforma o medicamento em commodity. Monteiro relata casos de seis ou sete distribuidores disputando a mesma venda numa farmácia, “um leilão para baixo”.[1] A saída proposta é oferecer serviços, como inteligência comercial e apoio ao ponto de venda, para competir por valor e não só por cotação.[1]

O que o setor propõe?

Para Paulo Maia, presidente-executivo da Abradimex, a agenda passa por reforçar gestão financeira, controle de estoques, análise de crédito e rentabilidade por operação, além de negociar prazos de pagamento e recebimento mais equilibrados.[1] Rede Integração Farma e Abradimex organizam um fórum do setor em 28 de outubro, em São Paulo.[1] A sobrevivência das farmácias independentes, principal base de clientes, é parte do problema.[1]

Em resumo

  • Distribuidoras de medicamentos mantêm de 120 a 150 dias de estoque.[1]
  • O setor enfrenta margens menores, juros altos e mais inadimplência.[1]
  • O split payment da reforma tributária deve pressionar o caixa.[1]
  • Entidades propõem reforçar crédito, estoques e oferecer serviços ao varejo.[1]

Atualizado em 16 de outubro de 2026.

Fontes

  1. Panorama Farmacêutico — Distribuidoras buscam caminhos para enfrentar crise no setor, 16 out. 2026.
Carolina Teixeira
Carolina Teixeira
Repórter de Gestão & Operações

Cobre eficiência, custos, governança e infraestrutura de hospitais e operadoras. Antes, trabalhou em consultoria de gestão hospitalar.

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